domingo, 4 de novembro de 2012

Apresentação deste Blog

“A minha intenção é convencer todos os que creem na utilidade de se ocuparem de metafísica de que lhes é absolutamente necessário interromper o seu trabalho, considerar como inexistente tudo o que se fez até agora e levantar antes de tudo a questão: ‘de se uma coisa como a metafísica é simplesmente possível’” (Immanuel Kant – Prolegômenos).

Filosofia, para Kant (definição a qual adoto), é a ciência da relação de todo o conhecimento aos fins essenciais da razão humana. É originada da junção de duas palavras derivadas do grego: filo (amor) mais sofia (sabedoria), ou seja, amor à sabedoria.

Sofisma é um raciocínio intencionalmente falso, mas que se apresenta com certa coerência, disfarçando-se como conhecimento. Tem por objetivo produzir uma ilusão de sabedoria em quem acompanha e adere aos seus silogismos. Por isso, aqui neste Blog, chamo de filosofisma o amor à ilusória sabedoria.

Houve um tempo em que a Filosofia era consistente, consequente e desinteressada, e produzia verdadeiro conhecimento e sabedoria. Mas infelizmente os homens sempre foram afeitos a doutrinas de felicidade, de modo que a consistência foi deixada de lado (contradições internas não são tão ruins assim afinal!), também a consequência (quem se importa?), tudo em nome de um interesse maior (a felicidade empírica do homem, mesmo que às custas da dignidade do homem), e a Filosofia tornou-se um amontoado de filosofismas, com as mais diversas e contraditórias doutrinas de felicidade, adequadas para cada tipo de freguês. Hoje cada um escolhe a sua de acordo com o seu gosto, segundo o seu sonho de felicidade, esquecendo-se de avaliar se a felicidade prometida é possível sob alguma forma. E alguns homens sérios e ponderados hoje duvidam que a Filosofia tenha qualquer tipo de finalidade que não criar nas mentes humanas perigosas ideologias.

Não há como convencer àquele que ama o sofisma a amar a sofia. Mas pode-se mostrar a quem ama a sabedoria e que esteja, de boa-fé, iludido por sofismas, os meios pelos quais o filosofisma se apresenta ao entendimento aparentando ser Filosofia.

É, portanto, objetivo deste Blog, retomar o caminho do conhecimento, a partir dos pontos em que a Filosofia se transviou, e contribuir para restabelecê-la como Ciência, digna de ser respeitada como tal.

Este Blog foi criado para o debate de ideias. No mundo real, raramente vemos um filósofo concordando com outros (e não muito raramente os vemos até se detestando); aqui não será diferente. Aqueles que saibam e queiram defender as suas ideias, com as armas da boa argumentação, são convidados a se manifestarem neste Blog. Não há tabus para as críticas a qualquer filósofo e ninguém será moderado por criticar o autor deste Blog, ou suas ideias. Apenas duas regras devem ser observadas:

1. comentários com palavras de baixo calão ou personalismos (xingamentos) serão deletados, para o bem do nível do Blog. Toda crítica, mesmo severa, pode e deve ser feita com boa educação; e

2. postagens não relacionadas ao assunto ou ao seu desdobramento também serão deletadas.

Considerando isso, os visitantes são convidados a ler e escrever (nos comentários) o que pensam, e na medida do possível serão respondidos.

Por fim, não tenho a pretensão da verdade absoluta, embora eu saiba que essa verdade exista, esperando para ser encontrada (quando for possível ao homem). Espero que o leitor encontre aqui não necessariamente a Verdade, visto que estou tão sujeito ao erro como qualquer outra pessoa, mas bastante matéria para reflexão que o possa conduzir, por si mesmo, a juízos melhores do que os que atualmente possui sobre certos assuntos de natureza prática, quer estes juízos concordem ou não com os meus. O que há de fascinante na razão humana é que quando um pensamento (mesmo que falso) lhe é exposto, ele pode ser a centelha que desperta a razão, até então adormecida ou desatenta, e a coloca no caminho de um juízo reto, desde que tenha a coragem de se servir de seu próprio entendimento e não se escorar sempre (como tem sido até então tão habituada) nos juízos de outros (mesmo que arrazoados), que se auto-intitulam mestres.

Este é também um dos objetivos deste Blog: chamar a atenção do leitor comum a respeito de coisas que ele em geral não está acostumado a refletir e que talvez nem soubesse que existia, de modo que sua razão desperte de seu sono dogmático e se conduza por si só a partir de então. Mas não é objetivo deste Blog tutelar o entendimento e oferecer um porto seguro onde conclusões corretas possam ser simplesmente colhidas e utilizadas com facilidade, sem esforço, sem maiores reflexões, primeiro porque, como já disse, eu posso errar; segundo porque tutelar o entendimento seria desrespeitar a dignidade como fins em si mesmos de seres que podem e devem pensar por si próprios (seres racionais); terceiro porque para as coisas que nos são do maior interesse não basta que nos apoiemos em bons mestres, ou que procuremos por bons mestres que ajuízem por nós sobre o que é melhor para nós, mas que sejamos nós mesmos mestres e doutores sobre tudo aquilo que nos interessa como humanidade; e, finalmente, em quarto lugar, porque creio firmemente que os juízos que ora emito qualquer outro (e qualquer outro mesmo) é capaz de emitir, e até melhores que os meus, desde que se lance ao estudo, à reflexão e à discussão imparcial com outros sobre a retidão de suas ideias, submetendo seus juízos, sem temor, às críticas dos outros homens.

A minha opinião expressa hoje, portanto, o melhor do meu entendimento até o momento, e quem quer que me convença, no futuro, com provas, demonstrações ou citações, de que escrevi algo que não esteja com a verdade, sem nenhum melindre eu me aproprio de seus juízos e retifico minha antiga opinião.

Ao leitor, fique à vontade para escrever e criticar o que julgar que deva ser criticado!

Rafael Gasparini Moreira [rafael.gasparini@gmail.com]
Petrópolis/RJ
Revisado em  21/2/2015.

Obs.: Na data de 21/2/2015 o título deste Blog foi alterado para Reconstruções. Esta nova denominação está mais alinhada ao rumo que o Blog tem procurado tomar ao longo do tempo, que é a reconstrução da Filosofia como Ciência.

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